Quando um Homem Quiser
Tu que dormes à noite na calçada do relentonuma cama de chuva com lençóis feitos de vento
tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento
és meu irmão, amigo, és meu irmão
E tu que dormes só o pesadelo do ciúme
numa cama de raiva com lençóis feitos de lume
e sofres o Natal da solidão sem um queixume
és meu irmão, amigo, és meu irmão
Natal é em Dezembro
mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
é quando um homem quiser
Natal é quando nasce
uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto
que há no ventre da mulher
Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
tu que inventas bonecas e comboios de luar
e mentes ao teu filho por não os poderes comprar
és meu irmão, amigo, és meu irmão
E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei
fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei
pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei
és meu irmão, amigo, és meu irmão
Ary dos Santos, in 'As Palavras das Cantigas'
Bom dia. Seria bom mas sabemos ser utópico pensar que o Natal no coração das pessoas, no seu geral, é todos os dias. A verdade é, quer queiramos ou não admitir, o Natal é pura hipocrisia na maioria das pessoas.
ResponderEliminarE, modéstia minha, se calhar defeito, digo: Não, nisso não és meu irmão.
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Abraço e um dia feliz.
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bom dia
ResponderEliminarum pequeno grande poema !!!
JAFR
Boa tarde. Fantástico que bom seria se fosse assim.
ResponderEliminarHoje: [Quero ser a lua, a noite, a chama que chega]
Bjos
Feliz, Quinta-Feira
Serei sempre teu irmão,
ResponderEliminardesde que nasci até morrer
trabalhei para enriquecer o patrão
com fome sem ter pão para comer!
Tenhas um bom dia amigo António. Sem patrão para o explorar. Para ti vai um abraço em liberdade.
Um excelente poema, neste dia em que faz 82 anos que nos deixou Pesoa, e que partiu o Zé Pedro. Valha-noseste belo poema neste dia aziago.
ResponderEliminarAbraço
Infelizmente,o Ary partiu muito cedo..!
ResponderEliminarA genialidade do Ary.
ResponderEliminarQue partiu muito, muito cedo.
Bfds