Descamizavam-se as espigas de milho Cantando à volta do monte de milheiros, quem encontrasse a espiga vermelha era rei ou rainha e pagava o jantar, secava-se ao sol na eira, mais tarde limpo pela tarara era levado ao moinho movido pela corrente de água duma vala ou riacho, transformando os grãos de milho em farinha.
Cada casa das aldeias mais isoladas tinha o seu forno a lenha onde cozia a sua broa-de-milho, ou o seu pão-de- trigo ou de centeio, algumas vezes me tocou a mim a tarefa de meter lenha no forno para o aquecer até as partes laterais da boca do forno ficarem brancas, estava no ponto de retirar as brasas e meter as broas lá dentro tapando a boca do forno de seguida.
Era muito jovem e tenho algumas saudades desse tempo, (não do Salazar) politicamente falando, mas podíamos brincar pelas ruas até ao pôr-do-sol
Onde uma simples tábua de madeira com 4 ou 6 rodas servia para fazer rali descendo as ruas a altas velocidades, de vez em quando lembro-me destas brincadeiras saudáveis e felizes e da segurança com que caminhava todos os dias 10 Kms ida e volta a pé para ir à escola primária, de vez em quando haviam zangas pelo caminho mas nada que não se resolvesse com uma costa-de-mão, ou pontapé, no dia seguinte pedíamos desculpa, nesse tempo as armas eram para os militares ou caçadores, hoje é arrepiante ver que os papás compram armas aos seus meninos para se defenderem!
Em poucas décadas a vida e comportamentos do ser humano em todo o mundo se transformou para o negativo e é no mínimo assustador.








